Sobre o autismo
Informação, acolhimento e respeito à diversidade
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que pode influenciar a forma como uma pessoa se comunica, interage socialmente, percebe o ambiente e vivencia diferentes situações do dia a dia.
O termo “espectro” representa justamente a diversidade existente dentro do autismo. Cada pessoa autista é única, com suas próprias características, habilidades, desafios, interesses e necessidades de suporte.
Por isso, falar sobre autismo também é falar sobre respeito às diferenças, inclusão, autonomia e qualidade de vida.
O QUE É O TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA?
O TEA está relacionado a características persistentes na comunicação e na interação social, além da presença de padrões restritos ou repetitivos de comportamentos, interesses ou atividades.
Essas características podem se apresentar de maneiras muito diferentes entre as pessoas e também podem mudar ao longo das diferentes fases da vida.
O autismo não define uma pessoa por completo. Cada pessoa possui uma história, uma personalidade, potencialidades e formas próprias de aprender, se comunicar e se relacionar com o mundo.
Por isso, o acompanhamento deve considerar as necessidades individuais e as potencialidades de cada pessoa, e não apenas o diagnóstico.
QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS?
As características do TEA podem estar relacionadas principalmente a duas grandes áreas:
Comunicação e interação social
A pessoa pode apresentar diferentes formas de dificuldade ou necessidade de suporte na comunicação e na interação social, como:
- Dificuldade para iniciar ou manter interações sociais;
- Dificuldade para compreender determinados códigos sociais;
- Diferentes formas de utilizar a comunicação verbal e não verbal;
- Dificuldade para compreender ou utilizar gestos e expressões;
- Dificuldade para compartilhar interesses ou experiências;
- Necessidade de apoio para estabelecer e manter relações sociais.
É importante lembrar que essas características variam muito de uma pessoa para outra.
Comportamentos, interesses e necessidades de rotina
Também podem estar presentes:
- Movimentos ou comportamentos repetitivos;
- Interesses muito intensos ou específicos;
- Maior necessidade de previsibilidade e rotina;
- Dificuldade diante de mudanças inesperadas;
- Diferentes formas de processamento sensorial;
- Hiper ou hipossensibilidade a sons, luzes, cheiros, texturas, sabores ou outros estímulos.
Nem todas as pessoas autistas apresentam as mesmas características ou com a mesma intensidade.
CADA PESSOA AUTISTA É ÚNICA!
Não existe uma única forma de ser autista.
Algumas pessoas podem utilizar a fala para se comunicar, enquanto outras podem precisar de recursos de Comunicação Aumentativa e Alternativa ou de outras formas de comunicação.
Algumas podem precisar de pouco suporte em determinadas atividades, enquanto outras podem necessitar de apoio significativo para comunicação, autonomia, aprendizagem ou atividades da vida diária.
As necessidades de suporte também podem variar conforme o ambiente, a idade, as demandas sociais e as diferentes fases da vida.
Por isso, mais importante do que classificar uma pessoa é compreender suas necessidades e oferecer os apoios adequados.
SINAIS DE ATENÇÃO NO DESENVOLVIMENTO
Algumas características podem ser observadas durante o desenvolvimento infantil e indicar a necessidade de uma avaliação especializada.
Entre os sinais que podem chamar a atenção estão:
- Pouca resposta ao próprio nome;
- Pouco interesse ou dificuldade em compartilhar atenção e interesses;
- Diferenças na comunicação verbal ou não verbal;
- Atraso ou diferenças no desenvolvimento da linguagem;
- Dificuldade na interação com outras pessoas;
- Brincadeiras repetitivas ou pouco variadas;
- Interesse intenso por determinados objetos ou assuntos;
- Necessidade intensa de manter determinadas rotinas;
- Dificuldade diante de mudanças;
- Reações diferentes a sons, luzes, texturas, cheiros ou outros estímulos;
- Repetição de movimentos, sons ou palavras;
- Perda de habilidades que já haviam sido adquiridas.
A presença de um ou mais desses sinais não significa, por si só, que a pessoa seja autista.
Eles indicam que pode ser importante buscar orientação e avaliação profissional.
Quanto mais cedo forem identificadas possíveis necessidades de desenvolvimento, mais cedo a pessoa poderá receber os apoios adequados.
COMO É FEITA A AVALIAÇÃO?
O diagnóstico do TEA é clínico e deve ser realizado por profissionais capacitados, considerando a história do desenvolvimento, o comportamento, a comunicação, a interação social e as características apresentadas pela pessoa.
Não existe um único exame de sangue ou exame de imagem capaz de diagnosticar o autismo.
A avaliação pode envolver diferentes profissionais, de acordo com as necessidades de cada pessoa.
No SUS, o primeiro passo pode ser procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS), onde a pessoa será acolhida e, quando necessário, encaminhada para serviços especializados.
O AUTISMO ACOMPANHA DIFERENTES FASES DA VIDA
O TEA não está presente apenas na infância.
Pessoas autistas podem ser crianças, adolescentes, adultos ou idosos, e suas necessidades podem mudar ao longo da vida.
Por isso, o cuidado deve acompanhar cada etapa do desenvolvimento, considerando:
- Comunicação;
- Autonomia;
- Aprendizagem;
- Relações sociais;
- Saúde física e emocional;
- Atividades da vida diária;
- Educação;
- Trabalho;
- Lazer;
- Participação social;
- Qualidade de vida.
O objetivo é oferecer condições para que cada pessoa desenvolva suas potencialidades e participe da sociedade com dignidade e autonomia.
A IMPORTÂNCIA DO ACOMPANHAMENTO MULTIPROFISSIONAL
O acompanhamento deve ser individualizado e definido de acordo com as necessidades de cada pessoa.
Diferentes profissionais podem contribuir para o desenvolvimento de habilidades, autonomia, comunicação, participação social e qualidade de vida.
Entre as áreas que podem fazer parte desse acompanhamento estão:
Psicologia • Fonoaudiologia • Terapia Ocupacional • Fisioterapia • Educação Física • Psicopedagogia • Musicoterapia • Medicina • Educação e outras áreas especializadas.
A atuação conjunta permite que diferentes aspectos do desenvolvimento sejam observados e trabalhados de maneira integrada.
Mais do que buscar “normalizar” a pessoa, o objetivo deve ser promover desenvolvimento, participação, autonomia, comunicação, bem-estar e qualidade de vida.
A FAMÍLIA TAMBÉM PRECISA DE ACOLHIMENTO
Receber um diagnóstico ou perceber que uma criança apresenta diferenças no desenvolvimento pode despertar muitas dúvidas, inseguranças e sentimentos.
Por isso, cuidar da pessoa autista também significa cuidar de sua família e de sua rede de apoio.
Pais, responsáveis e familiares podem precisar de:
- Informação confiável;
- Orientação profissional;
- Apoio emocional;
- Estratégias para o dia a dia;
- Orientação sobre desenvolvimento e autonomia;
- Fortalecimento dos vínculos familiares;
- Acesso à rede de serviços e direitos.
A família possui um papel fundamental no desenvolvimento e na inclusão da pessoa autista, mas não precisa enfrentar esse caminho sozinha.
O cuidado compartilhado entre família, profissionais, escola, serviços e comunidade fortalece a rede de apoio.
AUTISMO E INCLUSÃO
A inclusão não significa apenas garantir que a pessoa esteja presente em determinado espaço.
Incluir significa possibilitar participação, comunicação, aprendizagem, convivência, autonomia e acesso às oportunidades.
A pessoa autista tem direito de participar da escola, da comunidade, das atividades culturais, esportivas e de lazer, além de ter acesso aos serviços de saúde e assistência necessários.
A construção de uma sociedade verdadeiramente inclusiva depende da eliminação de barreiras, do respeito às diferenças e da criação de ambientes que acolham diferentes formas de aprender, comunicar e participar.
MITOS E VERDADES SOBRE O AUTISMO
“Todas as pessoas autistas são iguais.”
MITO.
O espectro é amplo e cada pessoa apresenta características, habilidades e necessidades diferentes.
“A pessoa autista pode aprender e desenvolver novas habilidades.”
VERDADE.
O desenvolvimento acontece de formas diferentes para cada pessoa. Com os apoios adequados, é possível desenvolver habilidades e ampliar a autonomia.
“Todo autista tem atraso na fala.”
MITO.
Algumas pessoas autistas apresentam atraso ou ausência de fala, enquanto outras desenvolvem linguagem verbal. A comunicação pode acontecer de diferentes maneiras.
“O autismo existe somente na infância.”
MITO.
O TEA acompanha a pessoa ao longo da vida. As necessidades e formas de manifestação podem mudar conforme cada fase.
“A família também precisa de apoio.”
VERDADE.
A orientação e o acolhimento da família são importantes para fortalecer a rede de apoio e favorecer o desenvolvimento e a qualidade de vida.
DIREITOS E CIDADANIA
A pessoa com Transtorno do Espectro Autista possui direitos garantidos pela legislação brasileira.
A Lei nº 12.764/2012 instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista e reconhece a pessoa com TEA como pessoa com deficiência para todos os efeitos legais.
O acesso à informação é uma ferramenta importante para que famílias e pessoas autistas conheçam seus direitos e possam buscar os serviços e apoios necessários.
APAAG: ACOLHIMENTO, DESENVOLVIMENTO E INCLUSÃO
A APAAG — Associação de Pais e Amigos dos Autistas do Guarujá — trabalha para promover o desenvolvimento, a autonomia, a inclusão social e a qualidade de vida das pessoas autistas e de suas famílias.
Por meio de ações, projetos e atendimentos, buscamos oferecer um espaço de acolhimento, respeito e desenvolvimento, considerando as necessidades individuais de cada pessoa.
Nosso trabalho valoriza:
Acolhimento
Porque cada família merece ser ouvida e respeitada.
Desenvolvimento
Porque cada pessoa possui potencialidades que podem ser estimuladas.
Autonomia
Porque desenvolver independência é também ampliar possibilidades.
Inclusão
Porque todos têm o direito de participar da sociedade.
Respeito
Porque diferenças fazem parte da diversidade humana.
VOCÊ NÃO ESTÁ SOZINHO NESSA CAMINHADA
Buscar informação é um dos primeiros passos para compreender o autismo e encontrar os apoios necessários.
Se você é familiar de uma pessoa autista, está buscando orientação ou deseja conhecer melhor o trabalho realizado pela APAAG, entre em contato conosco.
Estamos aqui para acolher, orientar e caminhar junto com as famílias.
IMPORTANTE!
As informações apresentadas nesta página têm finalidade educativa e não substituem avaliação, diagnóstico ou orientação de profissionais habilitados.
Cada pessoa deve ser avaliada de forma individualizada, considerando sua história, seu desenvolvimento, suas características e suas necessidades de suporte.